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Quem eram os Omaguás?
História de uma comunidade indígena


Urna Funerária Feminina OmaguásQuatro séculos antes da chegada dos conquistadores, os Omaguás usavam túnicas, tinham uma organização social, eram belicosos, hábeis agricultores e pescadores.

Por seis mil quilômetros dos rios Napo e Amazonas (do Equador ao Brasil), fizeram sua cultura a qual hoje se podem encontrar objetos cerâmicos, utensílios de trabalho doméstico, urnas funerárias e jóias em ouro de grande força expressiva, pois têm uma decoração que reflete uma forma de escrita bastante desenvolvida para o século XII, quando nasceu esta comunidade indígena.

Com a chegada dos espanhóis, são eles que alimentam as lendas do Eldorado repleto de ouro. Têm seus primeiros enfrentamentos já em 1540 com Orellana.

Quando chegam os Jesuítas, são os Omaguás que tornam viável a conquista primeira da região amazônica, pois todas as outras tribos são pequenas, nômades e com distintas línguas, o que torna a catequização inviável. Os Omaguás se unem as reduções jesuítas para escapar ao cerco dos bandeirantes do lado português e dos encomendeiros do lado espanhol que buscavam índios para escravizar.
Cerâmica Utilitária Omaguás
O movimento Iluminista promoveu o interesse científico europeu pelo Novo Mundo, como por outras desconhecidas regiões do Globo. A primeira expedição científica na Amazônia aconteceu em 1743 com a viagem de Charles-Marie de La Condamine, membro da Academia de Ciências da França, em uma viagem empreendida a partir de 1735, para comprovar ou não as teorias de Newton sobre a circunferência terrestre. Comprovada a hipótese newtoniana, ele decidiu conhecer a Terra das Amazonas e empreendeu a primeira viagem completa pelo rio Amazonas desde a sua nascente até o Atlântico, pelas vias fluviais amazônicas. Novamente aparecem os Omaguás, que lhe apresentam o látex e demonstram os vários tipos de utilidades daquilo que, no século XIX, seria o produto principal da economia amazônica.
Os Omaguás: cabeça plana
É ele que descreve os Omaguás:
“A Missão de São Joaquim é composta de muitas nações indígenas e, sobretudo os Omaguás. Seu nome, assim como o de Cambebas que lhes deram os portugueses do Pará na língua do Brasil, significa “cabeça plana”. É que esses povos têm o bizarro costume de prensar entre duas pranchas a cabeça das crianças recém nascidas, para lhes dar uma estranha forma, fazendo com que pareçam melhor, dizem eles, com a lua cheia”.

E descreve também a estranha e desconhecida resina que utilizavam:
“A resina chamada cahuchu nas terras da província de Quito, vizinha ao mar, é também muito comum nas margens do Marañon, e se presta aos mesmos usos. Quando fresca, pode ser moldada na forma desejada. É impermeável à chuva, mas o que a torna mais notável é a sua grande elasticidade. Fazem-se garrafas que não são frágeis, botas, bolas ocas, que se achatam quando apertadas, mas retomam a forma original quando cessa a pressão”.

Urna Funerária OmaguásCharles-Marie de la Condamine leva a Europa e começa a estudar o processo do látex mas é só em 1839 que Charles Goodyear desenvolve uma maneira industrial de utilização com a descoberta da vulcanização.

Com a expulsão dos jesuítas em 1767, os Omaguás se viram ameaçados por todos os lados: os índios de outras etnias os viam como traidores por terem ajudado aos jesuítas, os portugueses os achavam aliados dos espanhóis e os espanhóis aliados dos portugueses. Em pouco tempo a grande nação desceu o Amazonas, fugindo de tudo, perecendo com doenças e enfim, desapareceram mesclados com outras etnias.

Como disse o padre Angel Cabodevilla:
“A relação com os estranhos trouxe sobre eles todas as enfermidades do contato, principal causa de seu extermínio, assim como as demais violências próprias de uma conquista”.

Tudo isso pode ser descoberto e pensado com um simples nome de uma praça. Imagine uma cidade inteira!


quer saber mais sobre os nomes da cidade de são paulo? clique aqui:
http://www.passeiopaulistano.com/2008/04/21/o-tupi-em-sao-paulo/








Pesquisa e texto: Norma Nacsa

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Published on: 2007-09-02 (2363 reads)

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